QUAL É A VERDADEIRA CRISE?

Em qualquer conversa entre amigos nos dias atuais, muito tem se falado sobre a atual situação política e econômica do nosso país e seus efeitos negativos nos negócios de várias empresas. Por mais otimista que você seja não comentar sobre a “crise” nos encontros casuais ou nas rodas de conversas é missão quase impossível.

Nesse entendimento, negar a existência de um processo de retração da economia em nosso país atualmente, seria como não reconhecer o momento de crescimento que propiciou o desenvolvimento de muitos mercados e impulsionou milhares de atividades empreendedoras por todo o Brasil na última década.

Considerando minha própria história como empreendedor, antes de avaliar a dos outros, posso afirmar que a verdadeira crise que assola uma boa parte dos empresários não é unicamente de natureza econômica. Para falar a verdade, creio que esse tipo de “crise” seja pouco relevante diante de outras mais importantes.

Ao iniciar minha primeira atividade como empresário em um grande shopping na cidade de Natal, por volta de 2005, posso garantir que meu nível de conhecimento sobre empreendedorismo naquela época era semelhante ao meu conhecimento atual sobre física quântica e cartomancia, ou seja, quase nada. Mas o grande problema é que eu não pensava assim e desta forma nem preciso desperdiçar seu tempo falando sobre o triste resultado de tamanha ousadia…

Essa visão míope sobre a capacidade de gerenciar negócios normalmente potencializada em momentos de forte crescimento econômico ocultam nossas fragilidades operacionais e em meio ao clima de otimismo nos faz acreditar que estamos prontos para encarar o mundo do empreendedorismo de qualquer maneira, como se tudo fosse apenas uma questão de coragem.

O fato é que diariamente em meus trabalhos como consultor e educador financeiro tenho me deparado com empresas que utilizam oportunamente a desculpa da “crise econômica” para esconder seus verdadeiros problemas que normalmente estão relacionados à ausência de noções básicas sobre empreendedorismo, falta de planejamento, deficiência de controles financeiros e inexistência de uma gestão empresarial integrada capaz de produzir os resultados esperados.

A grande verdade é que empreender será sempre um grande “aventura” e seus riscos nunca ficarão restritos aos momentos de “crise”. Se considerarmos apenas as condições fiscais e trabalhistas oferecidas pelo nosso governo aos empresários brasileiros, a decisão de empreender toma contornos ainda mais desafiantes, garantindo o entendimento que a verdadeira crise que precisamos enfrentar não é econômica, mas sim de eficiência.

Edmilson Júnior

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